A vida do desenhista freelancer é feita de altos e baixos, por isso é preciso ter na manga um plano B.
Desde cedo aprendi que era preciso ser formiga, não cigarra. Nunca tive um estilo próprio e acho que isso seria criar um limite.
Passei quase a metade desses 20 anos dentro de um estúdio de animação, desenhando, dirigindo ou ambos. Algumas vezes deixava meu trabalho pessoal de lado, pois a animação me exigia um grande esforço, e tudo o que não queria fazer nas horas livres era desenhar, e apesar de ter que me adaptar ao estilo de outros desenhistas isso trazia estabilidade financeira, no caso dos longas metragens por até 3 anos.
No começo eu carregava uma pasta com originais (cópias coloridas eram um luxo e nem se sonhava com internet) e ia batendo de porta em porta. Hoje existem muitas facilidades em termos de divulgação, em compensação existe muito mais concorrência, e geralmente isso não significa qualidade, mas sim quem cobra menos.
Esta ilustração aí em cima fiz com 17 anos em 1990, em aquarela e lápis de cor, retirada da HQ Pelotão Coelho, publicada na extinta revista Aventura e Ficção, desenho de Mark Armstrong.

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