Este foi o primeiro gibi de super-heróis que eu comprei, quando eu tinha 12 anos, da Marvel com capa de John Byrne. Até então eu só havia lido Disney e Maurício de Sousa. Lembro que fiquei particularmente chocado com uma história do Demolidor desenhada por Frank Miller, que mostrava uma criança atravessando uma vidraça sob efeito de Pó dos Anjos (PCP). A transição da infância para adolescência pedia mais emoção e realismo e o Pato Donald e a Mônica ficaram pra trás. Depois conheci a DC Comics e passei a colecionar alguns títulos. George Perez (Novos Titãs e Crise nas Infinitas Terras), Brian Bolland (Camelot 3000), Mike Grell (O Guerreiro), Neil Adans (Arqueiro Verde), Garcia Lopez (Esquadrão Atari), Tony DeZuniga (Jonah Rex) e John Totleben (Monstro do Pântano) eram alguns dos meus desenhistas preferidos dessa ditora. Depois vieram as Graphic Novels, edições especiais em formato maior que revelaram nomes como Bill Sienkiewics e Kevin O'Neill. No começo dos anos 90 conheci então os quadrinhos europeus e um outro universo se revelou: as HQs autorais. A revista Metal Hurlant, criada pelos Humanóides Associados Jean "Moebius" Giraud, Druillet, Dionnet e Farkas foi um marco, que depois teve sua versão americana, a Heavy Metal. Vieram então Manara, Hugo Pratt, Jano, Enki Bilal, Juan Gimenez, Miguelanxo Prado, Simon Bisley, Mike Mignola, Dave McKean, John J. Muth, Kent Willians, Will Eisner, Crumb, Alberto Breccia, Katsuhiro Otomo, Masamune Shirow entre outros. Enquanto isso, os quadrinhos comerciais americanos entraram na fase padrão Jim Lee-McFarlane, onde os personagens tinham músculos até nos cílios, e inclusive alguns desenhistas brasileiros embarcaram nessa. Mais recentemente conheci Travis Charest, Adam Hughes, Eduardo Risso e brazucas como os Marcelos, Lélis e Quintanilha, os Rafaeis, Grampá e Albuquerque e os gêmeos Bá e Moon.
Não só os quadrinhos influênciaram meu trabalho, as artes plásticas também tiveram seu papel, mas esse
assunto fica pra próxima.

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